Olhando em seus olhos
de sonho e desespero,
assisto o mar humano
arrebentando em ondas
contra as rochas das delusões.
Somos nada mais que o espelho
estilhaçado um do outro.
Humanos nascidos para vencer, só perdemos…
E mil mentiras dizendo ao contrário.
Como o louco do tarô,
dançamos nus e embriagados
na borda do abismo.
Coroados com inteligência ou não,
cantamos com mil vozes desconexas
as maravilhas de miragens
construídas sobre a aridez de um deserto.
O que podemos ser senão ciganos?
Ou o náufrago que cruza o oceano
com a sua jangada de dor e sacrifícios?
Mas não, somos habitantes de cidades fantasmas.
Espectros delirantes que acreditam estar vivos.
Com o seu beijo e o leve tocar de sua língua
traço fantasias sobre o amor
no meu caderno de poesias.
Cada letra escrita com sangue,
borrando em vermelho sujo
as palavras já escritas.
Navios fantasmas são os grupos humanos
e todas as suas crenças.
De mãos dadas ou não,
navegamos juntos rumo ao fim do mundo
para sermos destroçados pelos penhascos
escondidos na névoa da morte e da vida.
Clareses

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