Quando nasci, um caminho sombrio
já havia sido traçado por mim.
Aquele que aspira à luz mais brilhante
encara sempre a sombra mais espessa.
Minha luz, minha escuridão,
rasgando o meu miserável coração.
Rodopiando no ciclone de minha alma,
sendo arrastado, lutando…
Em gritos e gargalhadas… Chorando.
A cada lágrima, um brilho de estrelas.
A cada lágrima, o sal de um mar de sangue.
E é nervos que estalam,
berros mudos, amordaçados.
Escuro vazio de um silêncio ensurdecedor!
Mas chega o amanhecer e tudo passa.
Me apego a alguma ilusão luminosa.
Entusiasmo e sorriso, um horizonte perfumado.
Sinto-me bem e depois passa.
Trilho uma trilha sobre um abismo nevoento.
Ousei às alturas ignorante dos meus pés de barro.
Subi, arquejei, olhei, olhei.
E caí profundamente.
Sou o louco da carta de uma cigana,
ignorando a besta devorando os meus pés,
só quis saber de olhar pra cima.
E caí, me estatelando no vazio,
no pleno vazio da mentira de estar vivo.
Clareses

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