domingo, 11 de agosto de 2019

A Trilha

 


Quando nasci, um caminho sombrio

já havia sido traçado por mim.

Aquele que aspira à luz mais brilhante

encara sempre a sombra mais espessa.


Minha luz, minha escuridão,

rasgando o meu miserável coração.

Rodopiando no ciclone de minha alma,

sendo arrastado, lutando…

Em gritos e gargalhadas… Chorando.

A cada lágrima, um brilho de estrelas.

A cada lágrima, o sal de um mar de sangue.


E é nervos que estalam,

berros mudos, amordaçados.

Escuro vazio de um silêncio ensurdecedor!


Mas chega o amanhecer e tudo passa.

Me apego a alguma ilusão luminosa.

Entusiasmo e sorriso, um horizonte perfumado.

Sinto-me bem e depois passa.


Trilho uma trilha sobre um abismo nevoento.

Ousei às alturas ignorante dos meus pés de barro.

Subi, arquejei, olhei, olhei.

E caí profundamente.


Sou o louco da carta de uma cigana,

ignorando a besta devorando os meus pés,

só quis saber de olhar pra cima.

E caí, me estatelando no vazio,

no pleno vazio da mentira de estar vivo.



                                                     Clareses

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